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não tem um caminho novo.  quando a gente vai, não imagina como fica o estômago de quem por ventura ficou. ontem eu estava bem no meio da palma da tua mão, mas hoje... hoje eu tenho só a ideia do teu cheiro grudada no nariz pra não me deixa esquecer que ontem eu até podia ver a tua sombra no espaço sobrando na cama, todo dia de manhã e ler na primeira pagina de qualquer coisa que a gente não tem um fim. ontem. hoje não tem mais. nem teu cheiro, nem a tua camisa no chão, nem nossos pés se trombando pela casa e dançando por estarem tão perto... diferente de ontem, quando você largou tudo no dia pra ficar. só pra ficar. hoje, meu amor ainda é teu. amanhã também. mas é ainda mais meu. diferente de ontem quando eu larguei tudo no dia pra ficar, só pra ficar.  hoje eu to largando você e pegando tudo no dia pra ir. só pra ir.
nas chegadas se o amor fosse uma cidade na chegada teria o teu nome como uma variação de "seja bem vindo" e não haveria preocupação com a partida porque é difícil querer ir embora de você e se a camisa que veste essa saudade tivesse uma estampa seria como aquela tua, do led zeppelin e a tua ausência cantaria "oh... all my love to you now" todo meu amor por você agora porque não é concebível que exista outro amanhã pra a gente acontecer se não hoje sobretudo, se eu tivesse um ato de coragem este seria me arrastar nas horas e bater na tua porta completamente nua destes fatos que amedrontam pra encostar nos teus cílios e arrombar as portas dos teus sentidos só porque é quente e esse frio que faz aqui fora eu j...
essa saudade que dá de manhã quando meus olhos mal se abriram e meu corpo automaticamente se contorce é que o costume de não saber se  te encontraria no meu dia e de repente encontrar as tuas coxas amassando as minhas eu ainda não larguei joguei no entulho uma vez, mas logo tratei de pegar de volta e tudo por culpa dessa tal de esperança que aciona um sei lá o que aqui nas entranhas que me faz esperar que dentro de algumas horas tu desvende todos os mistérios da tua partida e me cole a metade que caiu no dia que você foi além dos teus braços em volta da minha cintura deitados no telhado sob o céu do sul mesmo sabendo que a tua volta seria o estopim da terceira guerra mundial dentro do meu corpo meio campo minado vitima das tuas mãos dançando pelos lugares errados e explodindo todas a granadas mortas porque o seu toque é como polvora e eu não sei como me salvar sem antes me deixar queimar
o amor não comeu a minha paz nem a minha guerra minha identidade não fez digestão e eu continuo sem nome os três mal amados já encontraram um aconchego e esse puto, quando me viu na mesma calçada atravessou pro outro lado da rua.
vê, eu estou desmanchando se tento firmar os pés no chão minhas pernas derramam  cristalinas não me chamo doralda  e menos ainda  fui resgatada de um bordel pelo charmoso soropita mas está tão claro quanto água que eu estou... adoecida de amor
quando é que cê vem?  eu me esgotei de expressões propositalmente constituídas de boniteza me esgotei de tentar fazer da saudade um poema do allan jonnes, e das belezas que eu vejo no mundo inteiro quando a flor da minha pele se arrupia toda assistindo o voo de um beija-flor que é cansativo demais esperar e a cada segundo que eu espero esse beija-flor já bateu mil vezes a asa e voou quando é que cê arromba minha porta de novo? eu que me aperreio com invasões adoraria viver uma cena de filme de ação, swat, missão impossível tão impossível quanto conseguir mandar esse zero absoluto da sua presença pro espaço ou sumir numa nuvem de fumaça que seja quando é que cê para? qual é a hora do dia do tempo que cê me olha? que eu já me perdi demais nas curvas dessas hastes meio tortas que seus óculos tem e se cê num para eu fico tonta meio sem métrica que nem esse poema quando é que é?
não adianta não tem beleza nesse mundo que eu vá conseguir comparar a tua e  eu morreria dizendo o quão mais  bonita do que qualquer coisa que ja tenha queimado minhas retinas você é aliás, nem a quentura do amor de dois pinguins queima a minha retina como a íris dos teus olhos nem o vermelho mais vermelho que já conseguiram chegar no mundo das cores derrete o meu cérebro quanto a tua chegada meio em câmera lenta numa versão novelesca da musa dos meus olhos, que ja não é mais menina e mais esguia que a modelo mais bonita da passarela você desfila por cima da vida como quem flutua e nem sente o chão pisa e dos teus pés saem tantas flores que nem todos os pássaros da minha cabeça e nem todas borboletas do meu estomago conseguiriam fecundar de flor em flor esses polens que cê deixa cair despretensiosa por todo meu corpo e voltando às retinas, o teu corpo é definitivamente a coisa mais bonita que ja andei na vida