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eu nunca vi, de fato o teu rosto, mas me parece tão familiar quanto o cheiro da comida da dona Ana e esse cheiro que cê deixa lá no dentro dessas coisas que eu guardo é um gatilho para atirar-me como que eu fosse uma bala de prata alcançando a carne de uma lenda e somando em meu mais íntimo o dia em que morri mais uma vez de carinho e cuidado pelo o que acabou de chegar eu sou a incerteza exalando em todos os meus poros e você martela o meu pé no chão das coisas que eu quero e toda vez que me chama de bem um negócio arde aqui e articula a minha vontade de sair pra longe e depois voltar me derretendo inteira pra bater na sua porta.
você supõe a imensidão e transpassa a minha inquietude como um espectro a prova de eletricidade. eu me reviro, insone, desde uma vida inteira e esqueço que amanhã o dia vai ser longo, só pra ficar aqui e romper com a minha apatia desgastada. você me lê nas tuas próprias linhas e a medida que se descobre me descobre e até parece uma extensão desse caleidoscópio infinito que eu carrego dentro do que sou. no íntimo, me sinto nua e te sinto aqui agora. reverberando pelo meu quarto e ligando nossas arestas de jeito que num é possível acreditar que durou tanto tempo esse vácuo no meu estômago. mas é compreendido com toda minha falta de entendimento que é agora é nenhum outro tempo.
as vezes é difícil colocar pra fora tudo que eu gostaria que você soubesse eu faço muitas notas mentais sobre os teus traços e guardo minuciosamente até o formato dos átomos que formam a boca e me surpreende que eu ainda não tenha entrado em colapso com o baque do desejo pelas tuas coxas entre as minhas. já disse que sou apaixonada por pernas? não sai da minha cabeça o delírio que seria acordar beijando as tuas, desvendando em cada arrepio teu os meus pontos fracos porque o meu corpo estremece pensando no teu e não só. que esse corpo aí, é feito de estrelas e eu me sinto mais sortuda que Armstrong porque eu realmente viajo por milhões de galáxias quando imagino tu: nua, dentro das minhas mãos.
me abraça como quem troca confidências e me explica o que eu não sei do mundo pelos olhos de um amor imenso que cabe em cada pedaço dessas tuas mãos e dos olhos que eu mal vi escondidos atrás dos teus cachos tímidos me toma o que transborda e entoa nos teus sentidos o tom certo do descompasso que remexeu tudo aqui dentro
em erupção me derreto em palavras como aquele vulcão ativo depois de 70 anos e a minha língua queima tanto quanto o meu estômago quando o peso de cada letra precisa ser posto pra fora escorro em linhas queimando o papel como se cada ponto fosse uma faísca que não apaga e essa rocha que existe fora de mim se desgasta a cada toque do meu interior porque não é possível ser inteira esse escudo de proteção quando o sangue entra o tempo todo em ebulição e também arde a vontade de ser luz no calcanhar: fogo pra iluminar o caminho de quem vem atrás nas mãos: fogo pra acender o vulcão que existe também no outro, em você nos braços: brasa quente e confortável, pra acalentar os frios desolados inteiramente ardendo, queimando pra ser a luz que eu sempre quis ter ao meu redor
tenho em mim todo o sentimento do mundo. e não me importa o prazer se o vazio me acossa logo após. eu sou maré turbulenta e não aceito navegante pacífico. quero guerra dentro do meu triângulo das bermudas e habitações em minhas ilhas perdidas. eu sou mar em dia de enchente e transbordo até a tua praia incontestavelmente tranquila. se não for pra ir fundo, não mergulhe em mim.
desculpa chegar desse jeito, me aproveitando da imagem alheia pra te elogiar. é que no dicionário das coisas "incoisificáveis", você tá em todas as páginas e tá tão linda. e fora dele também. na minha mente, por exemplo, você aí tão linda. ou na sua voz, na risada que ce da, meio se segurando pra não explodir numa gargalhada, talvez. olha, pode rir. pode gargalhar a vontade. você fica ainda mais linda. aí. poderia ser aqui também. não sei. tá tudo bem, eu aceito que ce tá aí e eu aqui. ainda assim, você continua assim... tão linda. mesmo no meio desse apocalipse social e da sua cabeça correndo em várias histórias ao mesmo tempo, meu deus, você ainda tá aí tão linda. e eu tô aqui, nesses 19°C pensando que o frio até some, por causa de você e porque ce tá aí. tão linda.