"põe a mão em mim/eu viro água" - Lohanna Chrisy, 23, RJ.
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como pode? só por esses olhos gigantes me engoliu as nostalgias as coincidências que até me esqueci de questionar se acredita em destino como pode? por esse sorriso largo me apresentar o futuro e acreditar tanto nas minhas palavras que afeta-me o íntimo com o interesse como pode? que o teu tom e a sensibilidade das tuas pontuações acolhem meus ideais com tanto calor nos traços que agita o peito de um jeito... como pode?
rasga aqui na minha frente o teu peito aberto e me mostra a ferida que se abriu, se isso é verdade. mas não fica se isso te dói. transfigura o parto dessa conexão ociosa que se estabeleceu no silêncio entre as nossas confidenciais e fala na minha cara que a saudade não corrói. não te assusta? dormir me olhando e acordar de madrugada porque eu pedi o teu abraço, calada, e me envolver sabendo que o caminho que o teu corpo faz até o meu nessa hora faz com que teu estômago se retraia e se ele tivesse boca, gritaria doendo: NÃO! eu percebi. fomos fracos. somos fracos. até parece que nunca falamos sobre amor antes. isso aqui tá longe de ter amor, você sabe. é repulsa. e eu percebi. tudo bem partir. mas não fica se isso te dói.
desmancha a tua cor e mistura ao tom da minha pele arma tua cura e senta aqui depois do cansaço me olha de canto que eu finjo que não tô vendo e danço um pouquinho assim porque eu sei que você gosta constrói teus desejos nas minhas costas e me deixa erguer prédios pros versos escritos com o jeito que você anda caminha comigo depois das oito da noite quando o sol abaixar e só restar espaço pra dois no meio da rua
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