Me demonizam. Eu sou, para eles, qualquer experimento científico que deu
errado, menos eu mesma. Eu sou o profano, o incompleto, a peça a mais
no quebra-cabeça e eu não me encaixo. Em casa, eu sou o disfarce, o
assunto que nunca tocam, a fase. Na rua, eu sou alguém até eles saberem.
No rolê eu sou a possível realização sexual de um homem qualquer. Mas
quando ninguém tá vendo, eu sou a dança estranha e feliz por ninguém
estar vendo; eu sou um quarto bagunçado que se ajeita bem na bagunça que
eu tenho por dentro e o alívio por ninguém estar vendo; eu sou a
preguiça, os desenhos de manhã, as leituras, a carência do cafuné de
mãe, mas principalmente o alívio por ninguém estar me vendo. E
assediando. E se afastando. E mudando de assunto. Aqui, onde eu me
escondo, eu sou eu e sou tão igual a você quanto eles. A diferença de
mim pra você, é que eu gosto dela.
você sabotou a minha poesia minha concentração. o meu caderno de anotação ta cheio de frases não terminadas que me levam a pensar que não há frase na vida que iniciará um poema ou uma prosa sobre tuas pernas fascinada que sou por elas, mesmo que nunca as tenha visto e adoraria que me encontrassem no ar ou no meio do caminho pra eu finalmente descobrir onde começa e onde termina todo esse teu infinito no qual eu meu jogo em queda livre e caio. sem medo do que me aguarda ou me guarda.
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