Eu bagunço os teus olhos e desejo a tua carne como sacrifício das minhas
entranhas estragadas, eu bagunço os teus olhos porque sei que vermelhos
eles são mais expressivos do que eu quando quero dizer que os amo e que
desejo sim entre as minhas pernas os teus labios, mãos, desejo aplicado
numa equação que resulta sempre em nós. Não tem, não existe erro em
estar louca e você tem o melhor dos dois mundos: o que pertence aos teus
anseios e aos que pertencem aos meus desejos interrompidos pelos
afazeres do meu dia, mas que não minam a vontade de andar dois mil
quilômetros e poucos pra adentrar os cabelos réus num cheiro que capta a
alma do que te apossa e entra em mim como uma faca rasgando do bucho
até lá embaixo e não doi. Não dói porque você me cura até de mim e do
que eu mais tenho medo cá dentro e não é possível colocar pra fora. É
amor. Toda a bagunça. Todo o tumulto. Uma bela bagunça.
você sabotou a minha poesia minha concentração. o meu caderno de anotação ta cheio de frases não terminadas que me levam a pensar que não há frase na vida que iniciará um poema ou uma prosa sobre tuas pernas fascinada que sou por elas, mesmo que nunca as tenha visto e adoraria que me encontrassem no ar ou no meio do caminho pra eu finalmente descobrir onde começa e onde termina todo esse teu infinito no qual eu meu jogo em queda livre e caio. sem medo do que me aguarda ou me guarda.
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