Se me perguntasse agora se tenho algo a dizer, eu não teria. Eu já disse todas as coisas e provavelmente você não ouviu. Na verdade, você não viu e a culpa não é sua. Daí não da pra ver a minha sobrancelha arcada quando você fala de si mesmo como um rei e a minha cara de incredulidade, mas no fundo gostando de tudo; nem a minha risada quando você fala consigo mesmo distraído e eu sempre -sempre- imagino a sua cara fazendo isso, porque eu rio silenciosa pra não te desconcentrar. Que por falar em silêncio, quando eu me calo não quer dizer que eu queira desligar... eu só to esperando mais das tuas histórias. Quando eu era pequena, não tinha dessas coisas de ninguém me contar historias e por vezes eu quase dormi ouvindo as tuas. Não por desinteresse, mas por me sentir tão confortável com a tua voz que até me parece fácil dormir a noite toda sem acordar dez vezes por causa dos meus pesadelos. Enfim, isso não é um skit perfeito igual aquele do Gugu, mas eu deixaria tudo pra ser uma criança que pode correr pro teu abraço quando tem medo de dormir sozinha. Dorme comigo?
você sabotou a minha poesia minha concentração. o meu caderno de anotação ta cheio de frases não terminadas que me levam a pensar que não há frase na vida que iniciará um poema ou uma prosa sobre tuas pernas fascinada que sou por elas, mesmo que nunca as tenha visto e adoraria que me encontrassem no ar ou no meio do caminho pra eu finalmente descobrir onde começa e onde termina todo esse teu infinito no qual eu meu jogo em queda livre e caio. sem medo do que me aguarda ou me guarda.
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