é curioso perceber o fim do amor quando se está de fora. acompanhar o retrocesso de cada passo de dois. o jeito sem jeito, cheio de vontade, mas com pouco entusiasmo. a alegria triste em ter por perto, mas não mais pertencer. a sensação é quase como a de estar indo embora daquele lugar tão aconchegante que chega a dar um nó no coração. aperto na garganta. é mais curioso ainda, porque é tão triste ver o amor ficar ali no meio enquanto duas pessoas viram as costas uma pra outra num movimento tão lento que é quase imperceptível e aí você se dá conta de que já esteve lá, e de que alguém assistiu com o mesmo pesar, você ir embora de alguem.
você sabotou a minha poesia minha concentração. o meu caderno de anotação ta cheio de frases não terminadas que me levam a pensar que não há frase na vida que iniciará um poema ou uma prosa sobre tuas pernas fascinada que sou por elas, mesmo que nunca as tenha visto e adoraria que me encontrassem no ar ou no meio do caminho pra eu finalmente descobrir onde começa e onde termina todo esse teu infinito no qual eu meu jogo em queda livre e caio. sem medo do que me aguarda ou me guarda.
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